Super-heróis na vida real: eles existem, sim!

• 04/02/2013

Imagine o seguinte: você está saindo com um cara que tem tudo para ser incrível. Ele é bonito, inteligente, se veste bem, tem bons modos, gosta das mesmas coisas que você… mas ele decide, totalmente do nada, que o seu valor se equipara ao de um zero à esquerda. Indignada e de coração partido, você decide impedir que a mesma situação aconteça com outras garotas. Como? Vestindo um uniforme pra lá de bizarro – máscara, calça justinha botas e um sutiã de metal por cima da roupa – e percorrendo as ruas durante a noite para abordar mulheres indefesas.

Parece loucura, né? Mas é o que a super-heroína Terrífica, de Manhattan, faz – ou fazia, porque agora ela está aposentada. Com seu cinto de utilidades recheado de chocolates e preservativos, sua missão era impedir que homens que haviam bebido demais se dessem bem com mulheres, em uma tarefa que ensinava que “elas não precisam de proteção, admiração, o que for”. O que a concedeu o carinhoso apelido de anti-Sex and the City.

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Terrífica não é a única a fazer parte do World Superhero Registry, um site norte-americano criado em 2005 que tem como objetivo regularizar a proliferação de super-heróis no mundo. Lá, qualquer pessoa ou grupo que queira combater o crime pode tornar isso real. O site funciona como um ponto de encontro para aqueles que têm algo a acrescentar – desde a lição básica de não transar com qualquer um e se arrepender depois até coisas mais sérias. Mas o processo de seleção é bem rígido e só pessoas realmente comprometidas com a causa podem participar.

De acordo com o site, um super-herói da vida real é alguém que faz boas ações e combate crimes enquanto usa um disfarce. Mas… por que um disfarce? Porque o disfarce inspira outras pessoas, ilustra o comprometimento a um ideal, protege a privacidade do herói e de sua família, evita questões judiciais, permite a camuflagem e, claro, deixa tudo mais divertido. O site frisa que as ações não são, de maneira alguma, uma encenação – há alguns que levam a missão com menos seriedade, mas a comunidade do World Superhero Registry é composta por pessoas sinceras e honestas que finalmente decidiram sair e fazer diferença.

Exemplo disso é Zetaman, um herói de Portland, nos Estados Unidos, que uma vez por semana percorre as ruas em busca de pessoas que precisam de doações de roupas e comida. Armado com um bastão de aço extensível e uma arma de choque que libera até 30.000 volts – quantidade suficiente para derrubar um homem no chão -, ele utiliza essas armas para defender pessoas em problemas. Mas ele não começa brigas, e, até agora, não precisou apreender ninguém. Ainda bem.

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Recusando-se a revelar seu local de trabalho ou qual é a sua profissão, Zetaman não gosta do termo “super-herói” para se definir. Para ele, a expressão “homem de mistério” combina muito mais. Ter mais de 30 anos e “brincar” de herói parece piada para muitas pessoas, mas ele não acha que é bem por aí. Afinal, ter uma identidade e um disfarce é legal, e ajudar o próximo de uma maneira não egoísta é ainda melhor. “Isso não é sobre mim”, ele afirma. “Qualquer um pode fazer isso. Eu não sou nada especial. Eu me sinto muito bem comigo mesmo. Estou sendo ativo na comunidade. E eu gosto de histórias em quadrinhos, eu gosto de ideias grandes e nobres”.

Ao todo, já são mais de 300 pessoas envolvidas com as tais causas grandes e nobres, e o número de super-heróis cresce cada vez mais. Muitas dessas pessoas perderam seus empregos, suas casas e passaram por crises existenciais, o que provocou diversas reflexões e instigou a vontade de fazer algo a mais por alguém.  O legal é que o projeto já cruzou o Atlântico – o combatente do crime Angle Grinde Men, por exemplo, é da Inglaterra. E diz a lenda que até um brasileiro já entrou no esquema.

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O World Superhero Registry também conta com um apoio nos bastidores. Designers de moda que apoiam a causa são responsáveis pela criação de uniformes, e até mesmo especialistas em equipamentos de combate ao crime auxiliam os salvadores. Esses são apenas alguns exemplos de como isso tudo é levado a sério. E, se você acha que eles recebem o incentivo de todos, fique sabendo que existem até mesmo super-vilões! Embora as maldades prometidas por eles ainda estejam no papel…

O registro de super-heróis pode não ter o site mais bonito do mundo (eles afirmam que isso não é importante e que eles não estão procurando por ajuda nessa área), mas com certeza tem uma premissa muito interessante e distinta. E, tudo bem, um pouquinho louca também. E aí, você colocaria uma fantasia para ajudar estranhos?

Fonte: Superinteressante, World Superhero Registry, Willamette Week

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