Steampunk: uma literatura movida a vapor cheia de controvérsias

• 13/11/2012

Faz pouco tempo que eu entrei em contato com o steampunk. Eu já tinha visto o termo aparecer em alguns textos e coletâneas por aí, mas nunca tinha me dado o trabalho de pesquisar mais a fundo sobre ele. Na verdade, tudo o que eu sabia era que o steampunk é como um passado futurista cheio de máquinas revolucionárias. O que não é nem um pouco esclarecedor. Num ímpeto, decidi tomar vergonha na cara e procurar mais informações sobre esse subgênero tão comentado – e você pode conhecer um pouco mais sobre ele abaixo.

Por muito tempo, as possibilidades abertas pela ciência renderam incontáveis enredos de ficção científica. Estes enredos, em sua maioria, eram voltados para o futuro e o progresso da ciência. Hoje em dia, porém, essa perspectiva está um tanto pessimista, e é por isso que histórias apocalípticas são tão comuns. Diante desse “esgotamento” – que não é bem esgotamento, uma vez que histórias de ficção científica sempre terão seus adoradores -, os autores do gênero decidiram inovar e passaram a buscar novos mecanismos, literalmente, que mantivessem o gênero vivo. Foi aí que o steampunk surgiu.

              steam 
              n 1 vapor. 2 fumaça, névoa. 3 coll força, energia, iniciativa. • vt+vi 1 emitir fumaça ou vapor, evaporar. 2 evaporar-se, levantar vapor, vaporizar. 3 mover-se, andar ou navegar por força de vapor.

              punk
          n sl jovem que gosta de música “punk” e que se veste de maneira chocante, usa cabelos coloridos e enfeites de metal e protesta contra tudo que é convencional (também punk rocker). • adj sl associado com música “punk”, inconvencional, rebelde.

Resumindo: o steampunk trata de universos onde o futuro e o passado convivem em harmonia, mostrando uma realidade na qual a tecnologia mecânica a vapor evoluiu até níveis inacreditáveis, dando origem a automóveis, aviões e até mesmo a robôs movidos a vapor já no século XIX. É uma espécie de conflito de época fantástico, ao meu ver. É como se computadores fossem geringonças cheias de engrenagens à mostra conectadas a máquinas de escrever que faziam muito barulho. Como se os rádios fossem  máquinas enormes cheias de tubos que, com as conexões certas, eram capazes de transmitir gravações ou mensagens ao vivo, soltando muito vapor.

Geralmente, as histórias de steampunk se passam na era vitoriana, período britânico de governo da Rainha Vitória, de 1837 a 1901. Isso não acontece por acaso, afinal, é na Inglaterra que acontece o  auge da Revolução Industrial, além de ser nessa mesma época em que a literatura de ficção cientifica deu os seus primeiros passos. Porém, isso não impede que os enredos sejam ambientados em lugares diferentes, por isso até mesmo cenários medievais já foram utilizados.

É o caso dos Estados Unidos. Enquanto a Inglaterra vivia a era vitoriana, os norte-americanos estavam imersos no tão famoso velho-oeste. É por isso que várias histórias de steampunk escritas por norte-americanos acontecem neste cenário. O curioso é notar que, embora a Europa e a América estivessem vivendo fases tão distintas, as influências culturais eram bem parecidas, principalmente em relação à moda e aos costumes.

O steampunk pode ter uma pitada de terror, envolvendo sociedades secretas e teorias conspiratórias. Ainda assim, todas as histórias mantêm os mesmos elementos visuais. Esteticamente, o subgênero abusa de engrenagens, motores a vapor, metais como cobre, latão e bronze, couro e até mesmo madeira. É tudo acobreado a marrom. Acho que já deu para notar isso pelas imagens que ilustram o post, certo?

As primeiras obras de steampunk surgiram em meados de 1980, na forma de pequenos romances. Neles, personagens históricos do século XIX foram mesclados com heróis e aristocratas fictícios, criando textos originais e cheios de imaginação. A literatura foi o primeiro e principal meio de divulgação do estilo. Julio Verne é um dos autores de maior destaque do subgênero, com as obras 20.000 Léguas Submarinas, Volta ao Mundo em 80 Dias e Viagem ao Centro da Terra. Vale comentar que outros autores consagrados também já mostraram sua influência no estilo, como Sir Arthur Conan Doyle, H.G. Wells e Charles Dickens.

Lista de leitura:

Anjo Mecânico – Cassandra Clare
Dearly, Departed – Lia Habel
Leviatã – Scott Westerfeld
Boneshaker – Cherie Priest
Vapor Punk – Vários Autores
Steampunk Poe – Ilustrações Zdenko Basic & Manuel Sumberac
Viagem ao centro da Terra – Julio Verne
O Castelo Animado – Diana Wynne Jones
A Bússola de Ouro – Philip Pullman
Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário – Vários Autores

Além da literatura, o steampunk aparece em vários outros meios. Jogos como Dishonered e filmes como A Liga Extraordinária, Blade Runner, De Volta Para o Futuro III e Sucker Punch recriam o universo fantástico. O subgênero já conquistou até mesmo uma legião de fãs. No Brasil, nos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, por exemplo, há conselhos organizados que promovem uma série de atividades para todos aqueles que admiram o steampunk, assim como para aqueles que ainda estão descobrindo suas vertentes pouco a pouco. Os encontros promovem discussões sobre obras e produzem artesanatos – tudo isso com os fãs caracterizados como integrantes desse universo, é claro.

PS: Enquanto fazia pesquisa para o post, me deparei com uma galeria no Deviantart com ilustrações de personagens da Disney em steampunk. Vale a pena conferir!

Fontes: Tecmundo, Wikipédia, Steampunk.com, Petcom (UFBA), Obvious Mag, Cinesplendor

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