Orgulho e Preconceito Jane Austen Era Regencial (9)

Como era a vida na Era Regencial: Orgulho e Preconceito como você nunca viu

• 28/06/2016

Hoje é dia de maldade. Vim destruir os seus sonhos. Principalmente se você, assim como eu, vive dizendo que adoraria ter nascido em outra época. Curtir os anos loucos, ser um ícone da moda no pós-guerra ou ter um estilo de vida clássico na Era Regencial, onde são ambientadas as histórias dos livros de Jane Austen (isso aí, como Orgulho e Preconceito, uma das minhas grandes paixões).

Usar vestidos longos, viver noites inesquecíveis dançando em grandes bailes e conhecer um sr. Darcy em um desses encontros parece uma combinação irresistível, até certas perguntas aparecerem: como era a higiene pessoal naquela época? Eles escovavam os dentes? Como eles lidavam com doenças? E casar por amor, podia?

A Era Regencial (1795–1837) é sucedida pela famosa Era Vitoriana. Para comparação, Orgulho e Preconceito foi originalmente publicado em 1813, e Jane Austen viveu entre os anos 1775 e 1817. Agora bora ver como viajar no tempo não seria uma ideia tão boa assim. Ou seria, né. Depende de você. ;)

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Casamentos arranjados

Não havia nada de romântico envolvendo casamento antes do século 17. Alianças através do casamento eram arranjadas pelos pais, e muitos casais ficavam noivos ainda na infância (como acontece com sr. Darcy e Anne de Bourgh). Uniões, principalmente entre famílias abastadas, tinham como objetivo fortalecer laços entre famílias para garantir poder, riqueza e posição social.

No século seguinte, a ideia de casar por amor já era mais comum, mas ainda não pegava muito bem demonstrar afeição. E, por mais que o pedido pudesse ser feito diretamente, a aprovação dos pais, principalmente na família da noiva, ainda precisava ser obtida. Muitas famílias ricas investiam boas quantias de dinheiro para que suas filhas passassem uma temporada em Londres, para que fossem introduzidas na sociedade.

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Direitos da mulher

A vida da mulher depois do casamento não era dela mesma. Assim que os votos eram ditos, o marido ficava responsável pelas posses da mulher, e ela não podia opinar muito sobre os gastos da casa. Foi só no final do século 19 que as mulheres casadas tiveram algum direito sobre suas propriedades.

O livro Maria, or the Wrongs of a Woman, escrito em 1798 por Mary Wollstonecraft, fala sobre um casamento particularmente ruim. Num trecho, a personagem lamenta: “Mulheres devem ser submissas. De fato, o que a maioria das mulheres poderia fazer? Quem elas tinham para mantê-las, senão seus maridos?”.

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20% de chance de morrer

Se você soubesse que teria 20% de chance de morrer no parto, você toparia ter um filho? Porque essa é a realidade que as mulheres enfrentavam na época. A mãe da Jane Austen, por exemplo, pariu oito crianças e sobreviveu para contar a história, o que pode ser considerado um milagre.

Aliás, muitos casais tinham entre dez e 15 filhos. Naturalmente, os métodos contraceptivos não eram muito eficientes na época: abstinência era uma opção, e coito interrompido também (mas como ninguém manjava de período fértil, nunca dava muito certo). Algumas mulheres ainda optavam pela amamentação contínua.

mano do céu que cara chato fica me olhando desse jeito vou errar tudo

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Doenças, muitas doenças

Não era fácil crescer na Era Regencial. Crianças e jovens eram alvo fácil de doenças e problemas físicos. Como ninguém ainda tinha conhecimento sobre bactérias e antibióticos, e as cirurgias eram realizadas sem anestesia ou higiene, havia poucas soluções disponíveis além de uma dieta nutritiva e manter o paciente aquecido.

Quem conseguia sobreviver muitas vezes carregava sequelas como surdez e cegueira. Mas eram poucos: de acordo com registros de paróquias, a taxa de mortalidade era de 140 em mil crianças com até um ano de idade. E 30% dos jovens até os 15 anos morreram de disenteria, escarlatina, coqueluche, pneumonia e varíola. Ah, e trabalho infantil era bem comum também.

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Um rolê para buscar água

A cena do filme em que os Bennet recebem uma visita da Lady Catherine de Bourgh poderia ter sido uma tragédia se o sr. Bennet tivesse dado uma tremidinha e derrubado o castiçal. Não era incomum ver notícias nos jornais sobre acidentes envolvendo camisolas e uma proximidade exagerada da lareira no inverno. Isso poderia ser facilmente evitado com um balde e uma torneira, mas, ah: não tinha torneira.

Hoje em dia é fácil encher um copo de água, tomar um banho gelado num dia quente ou lavar as mãos depois de utilizar o banheiro. Mas, naquela época, eram pouquíssimas as casas que tinham encanamento. Buscar água no poço ou numa bomba na rua fazia parte da rotina dos serviçais, e não era nada fácil fazer isso com baldes revestidos de ferro.

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E higiene, rolava?

Mais ou menos. Do jeito que era possível na época, né. Em uma carta enviada para sua irmã Cassandra, Jane Austen escreveu: “Que clima quente horrível! Mantém qualquer um em um estado contínuo de deselegância!”. O problema era lavar-se apropriadamente. Apenas os mais ricos tinham banheiras; para boa parte da população, porém, era uma tarefa que envolvia jarros e bacias. Pessoas da classe trabalhadora tomavam banho apenas aos domingos.

Outra dificuldade era encontrar sabão, um item raro e luxuoso. Mas há o lado positivo: já era melhor do que na Era Medieval, por exemplo. Muita gente acreditava que tomar banho era uma espécie de deboche sexual, enquanto outros diziam que isso atrairia Satanás. Também acreditavam que ficar nu e entrar em contato com a água deixaria as pessoas doentes.

Escovas feitas de osso

Pode não parecer, mas higiene dental é uma coisa que existe há bastante tempo. Tipo, de verdade. Já encontraram palitos de dente ao lado de tumbas egípcias, e os chineses antigos mastigavam folhas para refrescar o hálito. Mas a primeira escova de dentes surgiu só em 1780, feita de ossos de gado e com cerdas de javali.

Mas, assim como muitas outras coisas, higiene bucal era uma coisa para os aristocratas. Aliás, eles que tinham mais problemas justamente por poderem pagar doces e comidas que prejudicavam os dentes. Dores de dente eram um problema frequente, e a saída mais comum era fazer uma extração. Como havia poucos dentistas, os dentes eram arrancados por um cirurgião local ou um ferreiro. As extrações podiam ser tão violentas que mandíbulas ocasionalmente quebravam.

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pensando aqui se vou querer lavar suas roupas quando você voltar do trabalho me deixa

Lavar roupa dava muito trabalho

Mais uma tarefa que era exclusivamente feita pelas mulheres. Na Era Regencial, lavar roupas era um verdadeiro sofrimento, porque o sabão utilizado era de lixívia, nome bonito para água sanitária. Ou seja: o contato prolongado com o produto deixava as mãos avermelhadas e machucadas.

Era uma tarefa demorada, que às vezes levava até dois dias para ser completada. Afinal, elas precisavam buscar água, ferver os tecidos, enxaguar, torcer para que o clima colaborasse… enfim. Muitas vezes a própria dona da casa e suas filhas também ajudavam, dependendo do número de criados. E depois disso vinha outra atividade super divertida: passar ferro em tudo.

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Ser homossexual era crime

Se Oscar Wilde foi preso em 1895 por “cometer atos imorais com diversos rapazes”, não é exatamente surpresa que na Era Regencial, que ocorreu alguns anos antes, homossexuais também não eram vistos com bons olhos. Boa parte da população acreditava que ter relações com pessoas do mesmo sexo era um pecado ou perversão.

Naquela época, pouco se sabia além dos conceitos básicos da heterossexualidade, e qualquer coisa que divergia disso era encarada com muita confusão, hipocrisia e negação. A punição era pena por lei, mas como era difícil de provar muitos acabavam ~apenas~ sendo presos e/ou torturados.

Mulheres não podiam usar calças

Que tristeza.

Todas as informações foram retiradas dos sites The Huffington Post, Daily Mail, Examiner e Jane Austen’s World.

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