Cinquenta Tons de Liberdade – E.L. James

• 03/12/2012

O ditado popular “falem bem, falem mal, mas falem de mim” é posto a prova pela trilogia de E. L. James, que começou com o polêmico Cinquenta Tons de Cinza e continuou com Cinquenta Tons Mais Escuros. Dividindo opiniões mais do que qualquer outro lançamento dos últimos anos, as vendas já chegam a mais de 60 milhões de cópias em 37 países. Porém, para a tristeza de alguns e a felicidade de muitos, a história de Anastacia Steele e do enigmático Christian Grey chegou ao fim.

Cinquenta Tons de Liberdade foi publicado no dia 08 de novembro pela Intrínseca, e eu não podia deixar de vir comentá-lo em mais uma sessão extraordinária. Lembrando que por se tratar do terceiro volume da trilogia, spoilers são inevitáveis. Caso não tenha lido os dois volumes anteriores e não queira estragar a surpresa, domine sua curiosidade.

O último volume inicia-se com algumas cenas em flashback, através das quais acompanhamos o casamento de Ana e Christian. Sim! O Sr. Não Mando Flores Muito Menos Namoro foi fisgado! Entretanto, a felicidade dos dois ainda não é plena.

Ele está dizendo não? Minha mente estra em queda livre – isso já aconteceu antes? Meu inconsciente balança a cabeça, os lábios apertados, e me encara através dos seus óculos de meia-lua, com aquela sua expressão de você-realmente-abusou-dessa-vez.

Embora os problemas entre os dois tenham sido superados pouco a pouco, a ocorrência de um incêndio criminoso no prédio da empresa de Grey e a sabotagem de seu helicóptero trazem a insegurança novamente para a vida do casal. Não se sabe quem está por trás desses atentados. Será que as ex-submissas de Christian representam uma ameaça? Ou será alguém relacionado ao seu passado?

Definitivamente, Cinquenta Tons de Liberdade não é o melhor da trilogia. Últimos volumes sempre me desagradam um pouco, pois há a necessidade de resolver rapidamente todos os conflitos de uma forma que o suspense seja mantido até a última página. Mesmo assim, a autora conseguiu surpreender em meio a clichês que já esperados.

Recheado de romance, neste livro também houve espaço para ação. Até eu que não sou fã desse tipo de cena me surpreendi com algumas delas, inclusive com uma perseguição de carro de tirar o fôlego. Porém, não tenho muitos parâmetros para estabelecer uma comparação de fato.

As práticas de sadomasoquismo, que ficaram em segundo plano em Cinquenta Tons Mais Escuros, reaparecem, trazendo inclusive inovações, se é que vocês me entendem… Até mesmo personagens secundários foram muito mais desenvolvidos neste volume. Além do notável amadurecimento de Ana e Christian desde Cinquenta Tons de Cinza, as mudanças são visíveis, e muito verossímeis.

O que realmente me incomodou foram as discussões repetitivas entre o casal, que nunca chegava a um senso comum. Assim como algumas dessas discussões se arrastam desde o primeiro volume, há a mania de superproteção de Grey, que chega a níveis extremos. Porém isso até que tem certo charme, não é?! Toda mulher gosta de ser cuidada.

Enfim, descobrimos em detalhes como iniciou-se o relacionamento de Christian com Elena, sua amiga e ex-dominadora, e mais alguns detalhes sobre a sua infância traumática. Acredito que todos os pontos deixados em aberto nos outros volumes foram atados. Felizmente.

Ele sempre será o Cinquenta Tons… Meu Cinquenta Tons. Se quero mudá-lo? Não, não exatamente – apenas na medida em que quero vê-lo se sentir amado. Ergo o olhar timidamente, e aproveito um momento para admirar sua beleza cativante… Ele é meu. E não é só o encantamento do rosto e do corpo muito atraentes que me enfeitiçam. É o que há por trás dessa perfeição que me atrai, que me chama… Sua alma frágil, machucada.

A maior surpresa foram os capítulos extras inseridos pela autora, contando o primeiro Natal de Christian com a família Grey e o momento no qual Christian e Anastacia se conheceram, narrado sob o ponto de vista de Christian, o que é simplesmente sensacional.

Em seu site oficial, E. L. James não descarta a possibilidade de futuramente escrever uma continuação para a trilogia, assim como um livro sob a perspectiva de Christian, porém, em suas próprias palavras: “isto está em segundo plano no momento, já que há algumas outras histórias para serem contadas primeiramente”.

Após Cinquenta Tons de Liberdade, o que nos resta agora é aguardar pelos filmes que virão e rezar para que não os transformem em algum tipo de pornô barato. Empolgadíssima, torço para que o Sr. Grey seja interpretado pelo Ryan Gosling. Estou otimista, já que ele seria perfeito para o papel, no meu ponto de vista. O que vocês acham?

Foi uma trilogia que mexeu com a cabeça de muitas mulheres e homens ao redor do mundo, trazendo à baila alguns temas que ainda são tabus, e permitindo uma discussão sobre sexo mais aberta. Com certeza vale a pena refletir sobre a temática dos livros de James e dar uma chance a eles antes de ser influenciado pelas inúmeras opiniões negativas que vemos por aí, sem conhecimento de causa.

Há os que amaram, há os que odiaram. Mas a trilogia Cinquenta Tons nos ensina que nada na vida é em preto e branco, mas cinza, em cinquenta tons.

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